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Professora da FABE faz abordagem sobre alimentação

Nesta terça-feira (16) o assunto alimentação ganhou destaque, por ser o Dia Mundial da Alimentação. Diferentes formas permitiram discutir o tema, especialmente num contexto de crescentes índices de obesidade ou de sobrepeso. A Engenheira Agronoma e Professora da FABE, Susi Mara Freddi escreve artigo sobre alimentação. Leia:

Alimentação saudável é cultura!

Já parou para pensar qual é a sua relação com a comida? Ou, ainda, o que têm influenciado suas escolhas alimentares?

Hoje comemoramos o Dia Mundial da Alimentação. Por esta razão, preparamos para você, leitor (a), uma reflexão sobre Alimentação Saudável.  Sim, é um tema super coerente e tão óbvio para a ocasião que, de tão crônico, perdemos a noção dos seus significados. E, por isso, generalizar seus sentidos tornou-se fácil.

Antes de mergulharmos brevemente na história das ideias humanas sobre Alimentação Saudável, destaco que as noções alinhadas neste texto não se ocuparam, nem de longe, em operar uma espécie de balanço filosófico sobre a temática, que, aliás, é capaz de encher diversas bibliotecas. Apenas compartilho algumas “entrelinhas” para alimentar - saudavelmente – o debate crítico e reflexivo sobre nossa relação com os alimentos.

O consumo de alimentos se constitui pela tripla qualidade de ser, ao mesmo tempo, uma necessidade vital, um direito de todos e um prazer. Mais além, é um ato político! Nossos hábitos alimentares fazem parte de um complexo sistema cultural encharcado de símbolos e significados e, portanto, o ato do consumo jamais é isento de valores.

Desde os tempos mais remotos, nós, representantes do Reino Animal cientificamente classificados como subespécie Sapiens Sapiens, criamos e/ou reproduzimos práticas e atribuímos significados as nossas escolhas alimentares. O que apreendemos com isso? Várias coisas e, uma delas, é que o comportamento humano em relação à comida revela a cultura em que cada um está inserido. Não me refiro aqui a estereótipos. Quando penso em alimentação, prontamente me deparo como o adjetivo saudável.  O fato é que a forma como tem sido usado é desprovida de originalidade, de essência e, na maioria das vezes, baseada na ausência da racionalidade. Ou seja, não há alimentação sem contexto sociocultural.

Alimentar-se tem um sentido mais amplo do que ingerir nutrientes e calorias para manter o corpo em pleno funcionamento. Envolve autodomínio e autoconhecimento, seleção, escolhas, ocasiões, rituais, oportunidade, oferta e demanda, subjetividade, histórias de vida, laços afetivos, relações familiares, cenário político e econômico, educação, entre tantos outros (novos) contornos do que se considera alimentação saudável.

Uma abordagem que pode ser útil ao desenvolvimento da consciência crítica sobre alimentação saudável é levar em consideração o Sistema Agroalimentar e suas complexidades. Entre a padronização e massificação dos hábitos alimentares e o desenho de uma contracultura alimentar, há muito a ser explorado.

Bem dizia Eleanor Roosevelt que as escolhas que fazemos são nossa própria responsabilidade. Mas então, por que fazemos escolhas (alimentares) tão ruins? Por falta de alternativa, por não saber escolher, porque sentimos prazer, porque é mais barato ou mais caro, ou por uma tendência de inércia mental, que a meu ver tem lá sua dose de egoísmo.

Se quisermos de fato ter uma relação saudável com o que comemos é preciso quebrar paradigmas. O alimento orgânico ou agroecológico, por exemplo, pode ser acessível, barato e bonito, sem falar da superior qualidade nutricional. Assim como o alimento convencional (produzido com agrotóxicos, sementes transgênicas e fertilizantes sintéticos derivados do petróleo) pode ser caro, de difícil acesso, feio e potencialmente danoso à saúde humana e do ambiente.

Uma “vida de pensamento”, como escreveu o italiano Gramsci, requer mudanças. Seja durante o almoço de domingo em família, na hora de preparar o lanche escolar das crianças ou antes de ir à feira, refletir nossas escolhas ajuda na mudança de valores dentro do Sistema Agroalimentar.  E, esse exercício de reflexão e crítica, nos leva a práxis. Obviamente que este processo não vem descolado de ações do Estado no âmbito socioeconômico e político.

Quando comemos, nos construímos socialmente. Nos moldamos como indivíduo e como ser coletivo. Portanto, valorize os produtos e as agriculturas locais, compre mais alimentos frescos nas feiras, aprecie alimentos que têm memória sensorial ou afetiva. Apoie iniciativas de produção e consumo regionalizadas, que respeitem os tempos e os limites do planeta; dê preferência aos alimentos orgânicos/agroecológicos.

Comer tem uma linguagem. Aliás, não tem uma só, tem várias. Nesta Dia Mundial da Alimentação, permita-se degustar todas elas. É saudável e faz bem ao corpo e a alma!

 

Foto: Ilustrativa

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